No dia em que é comemorado o Dia Nacional da Mulher, 30 de abril, o jornal Hoje em Dia publicou o artigo Presença feminina nos espaços decisórios, que destaca a importância do protagonismo das mulheres nas áreas da engenharia, agronomia e geociências. A conselheira do Crea-MG, engenheira Civil Maria Angélica Arantes de Aguiar Abreu, e o diretor do Crea-MG, engenheiro Civil Álvaro Goulart – ambos membros do Comitê Gestor do Programa Mulher – assinam o texto.

Confira abaixo a íntegra do artigo.

 

Presença feminina nos espaços decisórios

 

Maria Angélica Arantes de Aguiar Abreu 

Engenheira Civil, conselheira do Crea-MG e membro do Comitê Gestor do Programa Mulher

Álvaro Goulart

Engenheiro Civil, diretor do Crea-MG e membro do Comitê Gestor do Programa Mulher

 

A base necessária para a construção de um mundo pacífico, próspero e sustentável passa pela igualdade de gênero. Essa é afirmação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 5 da Agenda 2030, adotada em 2015, pela Organização das Nações Unidas (ONU). A promoção dessa igualdade é primordial para assegurar melhores condições de vida a mulheres e meninas.

Em convergência com uma das nove metas que compõem o ODS 5, que é a de garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública, o Sistema Confea/Crea e Mútua lançou, em 2019, o Programa Mulher. A inciativa tem como finalidade elaborar políticas de incentivo para a atuação e protagonismo de mulheres dentro das áreas da engenharia, da agronomia e das geociências nas diversas entidades de classe e Conselhos Regionais.

A versão mineira do programa, lançada em março deste ano, tem 21 representantes de instituições de ensino, sindicatos, entidades de classe, poder público, profissionais do Sistema e Crea Jr. O programa reconhece a importância da presença feminina nos espaços decisórios e quer potencializar as vozes das profissionais para que elas tenham o devido reconhecimento de seu trabalho e contribuição para o desenvolvimento da sociedade. Nesse sentido, a nossa atuação no comitê gestor é de pautar a ampliação da representatividade feminina em cargos de liderança e alta gestão, uma vez que os números apontam que esse é um caminho em que precisamos avançar como nação.

O estudo “Mulheres na Política 2020”, publicado pela ONU Mulheres no ano passado, revelou que o Brasil ocupa o penúltimo lugar entre países da América Latina e do Caribe no ranking de representatividade feminina nos cargos executivos, legislativos e em ministérios. Esse número chama ainda mais atenção quando levamos em conta o percentual de mulheres da população brasileira, que é de 52%. A taxa de representação feminina no Congresso brasileiro, por exemplo, é de apenas 15%. No restante do continente, essa taxa é de 31%.

No próprio Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), o percentual feminino registrado e ativo ainda é pequeno em relação ao masculino, mas apresenta uma representatividade maior se comparada aos números externos. Dos mais de 132 mil profissionais ativos registrados no Crea-MG, quase 20% são do sexo feminino, contabilizando pouco mais de 26 mil registros.  Ao passo que no plenário da autarquia, as mulheres correspondem a 11,7% do número total de 188 conselheiros, entre titulares e suplentes. Enquanto que em número gerais a representatividade feminina não chega a um terço do percentual da população de mulheres, no Crea-MG, essa representatividade é mais da metade. Esse número é ainda melhor quando analisamos os comandos das Inspetorias e dos Escritórios de Representação do Crea, espalhados por todo o estado. Dos 222 inspetores, 15,3% são mulheres.

No entanto, ainda temos muito a avançar, por exemplo, das seis comissões, dos sete grupos de trabalho e das oitos câmaras especializadas que compõem o Conselho, atualmente, não há em nenhum deles uma coordenadora, embora em anos anteriores esse cenário tenha sido diferente. Na diretoria do Crea-MG, desde 2018, há representação feminina, a última tinha sido em 2010. Nos últimos quatro anos, tivemos mulheres à frente das diretorias de Fiscalização, e, atualmente, na de Atendimento e Acervo. E uma das frentes de atuação do Programa é justamente manter a frequência dessa presença. Ampliar a participação das mulheres e criar condições para que isso ocorra é uma luta que deve ser encampada por todos, tanto mulheres quanto homens, unidos na promoção dessa igualdade.

Para marcar o Dia Nacional da Mulher, em 30 de abril, o comitê gestor vai promover um painel online que reunirá três profissionais, de diferentes modalidades, para partilhar as suas trajetórias e experiências de vida. O objetivo do evento é contribuir com o tão necessário empoderamento feminino.